ATENÇÃO À DOR



A DOR constitui um espectro difícil no horizonte daquele que adoece. Ela possui aspectos neurofisiológicos e psicológicos e merece, pois, toda a atenção.

Para o paciente, é essencial livrar-se dela. Há casos em que, para conseguir que isso aconteça, é fundamental buscar ajuda de profissional especializado que buscará meios para atingir o controle da dor.

O tema é tão importante que é possível encontrar pessoas que diante de uma dor incontrolável e/ou insuportável, desenvolvam ideias suicidas. Faz-se necessário destacar que o limiar de dor ou a capacidade de suportar uma dor, varia de pessoa para pessoa.

 

CONSEQUÊNCIAS DA DOR

Para que possamos encontrar estratégias de apoio à pessoa que sofre com a dor, é fundamental entender suas CONSEQUÊNCIAS, que são muitas:

comprometimento da cognição: a concentração fica prejudicada, comprometendo as demais dimensões da vida – físicas, psíquicas, sociais, espirituais;

diminuição ou eliminação da disposição para atividades sociais (conversar, receber pessoas, participar de atividades) e de lazer;

redução ou impossibilidade do exercício de atividades profissionais, com prejuízos sociais e econômicos combinados;

– em alguns casos, confinamento doméstico e também ao leito, com inúmeros e evidentes prejuízos físicos, fisiológicos, sociais e psicológicos;

insônia e/ou perda da qualidade do sono, o que pode levar a pessoa a tornar-se agressiva, impaciente, ansiosa, deprimida;

todas as funções físicas, fisiológicas e psicológicas experimentam prejuízos;

– a pessoa dirige todas as suas energias para a dor. Esta pode tornar-se um problema maior do que a própria doença. Com isso, o tratamento fica prejudicado.

 

EFEITOS PERCEPTÍVEIS

A presença da dor provoca EFEITOS perceptíveis que necessitam de atenção por parte dos familiares (ou cuidador):

sinais musculares (contrações, imobilização entre outros);

dificuldades para a movimentação;

alteração na respiração;

movimentação incomum durante o sono, que pode ser leve e não reparador.

Cuidadores e familiares devem estar atentos a esses sinais e questionar o paciente, pois conforme comentado, as reações à dor diferem de pessoa para pessoa. Algumas queixam-se ante dores leves, outras apresentam notável capacidade de ocultar suas dores.

O fato de a pessoa não reclamar, não significa que esteja sofrendo menos. Por isso, toda atenção é necessária.

 

Encontram-se diversos MOTIVOS para a pessoa NÃO RECLAMAR da dor:

– intenção de comportar-se, aos olhos dos profissionais da saúde, como “bons doentes”;

– intenção de não reduzir a atenção do médico quanto ao tratamento da doença;

– desejo inconsciente de NÃO RECONHECER que a doença pode estar progredindo ou que o tratamento possa não estar alcançando o objetivo desejado;

– existem pessoas que desenvolveram, ao longo de sua vida o hábito de guardar suas dores e incômodos para si; foram condicionados a esse tipo de comportamento;

– há pessoas que consideram pouco digna a reclamação – trata-se de uma razão tipicamente cultural, muito comum em algumas famílias onde as manifestações de sensações e sentimentos são fortemente reprimidas;

– o paciente preocupa-se em não aumentar a ansiedade dos familiares; acredita que, manifestando suas dores, os familiares ficarão ainda mais preocupados com o seu estado;

– a pessoa pode considerar o sofrimento “parte do tratamento”, “inerente à doença” e, por esse motivo, não pensa na hipótese de falar com o médico e ser medicada;

– a pessoa apresenta medo de analgésicos, tanto maior quanto mais poderoso é o medicamento; tem receio dos efeitos colaterais; esse receio pode aumentar quando o paciente apresenta outras fragilidades decorrentes dos medicamentos e procedimentos do tratamento;

– o indivíduo receia tornar-se dependente químico dos medicamentos contra a dor. Muitas vezes a pessoa considera “normal” tomar um medicamento que é de um familiar ou um conhecido, porque “foi bom para ele”, mas se espanta com a possibilidade de fazer uso de uma medicação que é prescrita pelo profissional que o acompanha.

Para muitos, a dor pode ser o principal problema durante o tratamento.

Seus efeitos são subjetivos e não há relação entre a natureza do câncer e a intensidade da dor. Sempre convém frisar: CADA CASO É UM CASO.

 

REFERÊNCIAS:

  1. No site do INSTITUTO NACIONAL DO CÂNCER, os leitores encontram um amplo artigo a respeito, através do link:

http://www.inca.gov.br/rbc/n_43/v01/artigo2_completo.html

Desse artigo, foram destacadas as seguintes informações, que demonstram a importância da atenção à dor no tratamento:

– A dor relacionada ao câncer acomete cerca de 50% dos doentes em todos os estágios da doença e em torno de 70% dos indivíduos com doença avançada;

– A intensidade da dor é substancial para a maior parte dos pacientes e é capaz de comprometer a qualidade de vida da pessoa.

– É necessário considerar o doente como parceiro do processo terapêutico, no seu papel de coresponsável pelo mesmo, sob pena de o ver fracassar

– Frases de alguns pacientes, que mostram o temor a analgésicos, explicando os motivos pelos quais não aderiram ao tratamento contra a dor:

“O médico falou: quanto menos tomar é melhor.”

“Tomo só quando é necessário. Sou contra comprimido.”

“Tenho medo de tomar muito medicamento.”

“Evito tomar para não intoxicar.”

“Não quero ficar dependente.”

“Tomo numa frequência menor que a prescrita, mas todos os dias.”

– A ideia de prevenção da dor é recente e pouco difundida em nosso meio. É conceito tradicional entre a população de que remédio para dor só se toma quando há dor.

– As frases seguintes refletem as dificuldades dos doentes em adquirir remédios e estão compatíveis com a baixa renda per capita dos indivíduos avaliados:

“Guardo o remédio para quando a dor piora, para não ficar sem remédio.”

“Economizo remédio para quando a dor piora. Remédio é muito caro.”

 

2. Fiorelli, J. O.; MACIEL, R. C. R. Câncer e família – mitos e realidade. Curitiba: Juruá, 2016.