HOSPITALIZAÇÃO: VISITAÇÃO



Pacientes que enfrentam graves traumas físicos, fisiológicos e/ou psíquicos reagem de várias maneiras quando se trata do relacionamento social, no delicado período pós-operatório ou após procedimentos de grande impacto, como o transplante de medula óssea.

Há aqueles que optam pela solidão.

São pessoas que enfrentam enorme dificuldade para se concentrar no que quer que seja. Conversas as aborrecem. Não conseguem ouvir música. A luz incomoda.

Podem estar depressivas mas, muitas vezes, trata-se de uma reação do organismo provocada pelo estresse. O organismo encontra imensa dificuldade para reagir aos menores estímulos e, por isso, recolhe-se. À medida que o corpo se fortalece e a mente recupera-se, tudo isso se modifica.

De maneira oposta, há as que preferem a companhia de outras pessoas.

Elas lhes trazem conforto, segurança, a sensação de pertencer a um grupo, a uma comunidade.

Adoram visitas; querem ouvir música, assistir filmes, contatar pessoas pelo what’sapp, facebook ou algo assim. Fogem da solidão. Os estímulos são muito bem vindos e desejados.

As preferências de cada paciente devem ser respeitadas.

Parentes, amigos, colegas podem estar extremamente ansiosos para rever o paciente. Afinal, doenças graves despertam os sentimentos de afeto e companheirismo e isso acontece no caso do câncer. As pessoas devem, entretanto, compreender que, em primeiro lugar, há de se respeitar o desejo do paciente.

Os acompanhantes devem sempre ter certeza de que o paciente apreciará receber visitas, antes de permiti-las.

Há alguns, como já foi apontado, que preferem a solidão; outros, apreciariam receber apenas determinadas pessoas, com as quais mantêm um vínculo muito especial.

Isso vale para o período de hospitalização e, também, após o retorno ao lar.

 

VISITAS NO HOSPITAL

No hospital, as regras são estabelecidas pela instituição. Os familiares devem conhecer bem essas regras e ajustar-se a elas.

Casos especiais, como os de crianças e idosos, devem ser encaminhados através do serviço social da entidade hospitalar.

Observe-se que o ambiente hospitalar não é adequado para crianças.

Crianças são mais vulneráveis a doenças, o espaço é limitado, podem ocorrer procedimentos durante o horário de visitação e suas presenças podem inibir alguns temas de conversas que ocorreriam entre adultos.

Há hospitais que liberam as visitas em horários nos quais ocorrem cuidados com a pessoa internada. Pode ser muito desagradável para o paciente receber a visita, por exemplo, durante o horário do banho, ou enquanto são realizados curativos ou outros procedimentos.

Nessas situações, o acompanhante deve comandar as ações com firmeza, solicitando a saída dos visitantes sempre que isso for desejável ou conveniente. Bom-senso é fundamental.

Por outro lado, muitas pessoas sentem grande aversão ao ambiente hospitalar.

Esse ambiente, por si só, está longe de ser convidativo.

Além disso, há pessoas que passaram por experiências muito difíceis em hospitais e não gostam de revivê-las, visitando outras pessoas. O paciente e sua família devem levar em consideração essa questão e aceitar o fato com naturalidade.

 

VISITAS NO LAR

No lar, onde não existem regras estabelecidas, o bom-senso é ainda mais importante.

Veja-se o caso do paciente que recebeu, sem qualquer aviso preliminar, alguns amigos municiados de violão e bebidas. Para celebrar o retorno!

O paciente, extremamente debilitado por uma cirurgia, preso ao leito, experimentou uma sensação próxima do pânico, ao ver todo aquele ruidoso e espalhafatoso movimento invadindo a tranquilidade do lar.

Ninguém lembrou-se de perguntar, ao cônjuge, como ele reagiria a uma exposição dessa natureza!

Caso semelhante é o do paciente que recebeu um grupo composto por uma dúzia de tagarelantes visitantes, entre eles várias crianças que imediatamente espalharam-se pela residência em alvoroço. Mais uma vez, o bom-senso foi agredido.

O oposto também é prejudicial. Há pacientes que, sem receber o contato de outras pessoas, podem experimentar  sensação de solidão ou de abandono.

Nos dias atuais, com as facilidades da comunicação, torna-se mais fácil o contato e a preparação da visita, para que ela seja proveitosa para todos.

 

ALGUNS CUIDADOS

Evitar visitas longas demais.

Cuidado com os reencontros: o quarto do hospital não é um espaço para as pessoas matarem, ruidosamente, suas saudades. Devem fazê-lo na lanchonete. O mesmo cuidado aplica-se na visita ao lar.

Visitas muito breves dão a impressão de mera formalidade, de “feitas por obrigação”.

Conversas sempre amenas. Nada de violência, crimes, doenças, falecimentos.

Estimular o paciente a falar, se ele tiver disposição para isso.

Jamais brigar na frente do paciente. Não é o espaço nem o momento para discutir heranças, dificuldades financeiras, problemas com os filhos etc.

 

CONCLUSÃO

Os visitantes devem levar ao paciente e aos cuidadores serenidade e carinho, apoio e conforto.

É o que se espera de uma visitação.

 

FONTE:

Fiorelli, J. O. & Maciel, R. C. R. Maciel. Câncer e Família – mitos e realidade. Curitiba: Juruá, 2006.