À ESPERA DA PRIMEIRA CONSULTA – PACIENTE ADULTO



O período que antecede a primeira consulta – ainda que de curta duração – costuma ser marcado por reações negativas, nem sempre conscientes, que em nada contribuem para o futuro tratamento e para o bem-estar do indivíduo.

Medo, ansiedade, incerteza levam a pessoa (e isso pode acontecer, também, com os familiares) a agir de maneira inadequada.

As reações descritas a seguir  constituem exemplos de como isso acontece.

  • Nada há de mudar!

Muitas pessoas possuem hábitos e comportamentos altamente prejudiciais à saúde. Por exemplo, alimentação inadequada e irregular, sempre acompanhada de bebida alcoólica e, muitas vezes, agravada pelo fumo.

A suspeita de uma doença grave, como o câncer, recomenda desde cedo uma atenção especial à alimentação, que deve ser tão saudável quanto possível. Isso ajudará, mais tarde, no enfrentamento da doença. Em alguns tipos de câncer, a alimentação adequada desempenha papel fundamental para o sucesso do tratamento!

Entretanto, existem aquelas pessoas que simplesmente ignoram a importância de modificar esses hábitos, que por si só prejudicam o organismo.

Outra situação comum é a daquele indivíduo que convive com uma intensa rotina de atividades. Não apresenta nenhuma disposição para interromper ou modificar uma ou mais dessas atividades e, mesmo suportando sintomas incômodos e ou dolorosos, acaba contornando-os com paliativos (por exemplo, analgésicos).

Com isso, acredita estar “ludibriando” a doença. É comum, em tais casos, que encare a procura do médico como uma injustiça que nunca fez por merecer.

Contudo, é preciso encarar a realidade que os sintomas apresentam e procurar auxílio médico.

 

  • É melhor não saber!

Esse é outro sentimento perigoso e, infelizmente, comum: medo e ignorância costumam caminhar juntos.

A pessoa tem medo da doença e protela a busca do diagnóstico, iludindo-se de que, assim, sofrerá menos.

Falta-lhe empenho para conseguir uma consulta; aceita os prazos (muitas vezes longos) sem procurar uma forma de antecipar; coloca a culpa sempre no “sistema de saúde”; conforma-se com a situação e transmite essa ideia para os familiares.

A única solução, entretanto, consiste em enfrentar o desafio tão logo quanto possível, para beneficiar o tratamento futuro.

 

  • O médico dará um jeito!

O indivíduo protela tanto quando pode a consulta porque tem a esperança de que, seja quando for que ela aconteça, o médico terá a cura.

Esse sentimento atenua o impacto da espera pelo diagnóstico. O médico passa a ser visto como onipotente.

A pessoa não percebe que, quanto maior for a demora, tanto mais difícil será, para o médico, obter sucesso no tratamento.

A pessoa esquece-se, eventualmente, de que ela também tem responsabilidade sobre si mesma.

Mesmo com a consulta já agendada, é preciso adotar hábitos e comportamentos que contribuam para o futuro tratamento, seja ele qual for. Neste caso, não havendo o diagnóstico de câncer, os esforços não terão sido em vão, porque contribuirão para a saúde do indivíduo.

 

CONCLUSÃO:

Aos familiares, cabe prestar atenção aos sinais que o indivíduo possa manifestar, ainda que este, muitas vezes, procure  ocultar aquilo que o incomoda e faz sofrer.

O período, ainda que curto, de espera da primeira consulta pode ser vantajosamente utilizado pelo indivíduo – e, nisso, é muito importante o apoio dos familiares –  através da revisão de seus hábitos, comportamentos e atividades.

Tudo o que favorecer a saúde, será útil para o sucesso de um possível futuro tratamento.

 

FONTE:

Fiorelli, J. O. & Maciel, R. C. R. Maciel. Câncer e Família – mitos e realidade. Curitiba: Juruá, 2006.