A PRIMEIRA CONSULTA



Em artigos anteriores, comentamos a respeito das dificuldades emocionais que dominam muitos pacientes no período que antecede a primeira consulta.

Muitos pacientes protelam esse dia; inúmeros argumentos surgem para justificar a demora.

Entretanto, o dia chega e é um momento importante, porque se deixa o campo obscuro das especulações, para adentrar o domínio da CIÊNCIA MÉDICA.

Para muitas pessoas, a própria IDA ao médico cerca-se de sofrimento psíquico. A pessoa receia um diagnóstico que ainda não conhece e que poderá não ter a gravidade que ela tanto teme.
Quando possível, pode ser bastante vantajoso comparecer ao médico acompanhado de alguém próximo, que conheça bem seu comportamento e suas queixas no ambiente familiar.
O médico poderá fazer perguntas que o acompanhante ajudará a responder por ser um observador do que acontece no cotidiano. É comum que as pessoas apresentem comportamentos e reações que elas mesmas não percebem.

É extremamente importante a descrição cuidadosa dos sintomas e sinais para o médico.

Este realizará o exame clínico durante a consulta. Ele irá apalpar, sentir, auscultar, medir os diversos sinais essenciais, como o batimento cardíaco, a pressão arterial e a temperatura. Dependendo da natureza da queixa, dos sinais e sintomas, realizará outros exames ainda em consultório. Além disso, fará a prescrição dos exames necessários à emissão do diagnóstico.

Muitas pessoas protelam a ida ao médico para evitar a possibilidade de exames invasivos, como o toque retal (para verificação da próstata), a colonoscopia, a endoscopia.
Não existem motivos, além dos culturais, para justificar essa rejeição.  Essas avaliações são absolutamente necessárias e as técnicas atuais permitem realizá-las, em clínicas especializadas, sem desconfortos maiores para o paciente.

É possível que o médico, por suas explicações e ou pelo tipo de exames que solicite, reforce ou reduza as expectativas do paciente. Há casos em que os exames são solicitados apenas para afastar definitivamente determinadas hipóteses.

Muitos pacientes procuram encontrar, nas expressões do médico (movimentos faciais, olhar, agitação das mãos, postura) sinais reveladores do que ele está pensando. Esse tipo de atenção é inútil: o profissional nada revela e aquilo que o paciente deve saber será conhecido através da fala.
É muito comum que o médico opte por nada adiantar de positivo ou negativo antes de obter os resultados dos exames de imagem e de laboratório.

Também é importante observar que os médicos ajustam suas mensagens às características do paciente, por meio da observação das manifestações emocionais dele e de quem o acompanha. Ele considera fatores como idade, escolaridade, atividades, experiências anteriores e outros que possam ser relevantes. Tudo dependerá do caso e da situação.
Por esse motivo, pacientes e familiares não devem estranhar diferenças de comportamento dos médicos, quando avaliam o que acontece com eles, comparando-as com relatos de amigos e conhecidos em situações anteriores. Cada caso é um caso.

As pessoas, em geral, apresentam um conhecimento superficial a respeito da doença e do tratamento; as experiências com outras doenças não se aplicam exatamente ao câncer; o estado emocional contribui para interpretar pequenos detalhes de maneira enganosa ou inadequada.

Paciente e acompanhantes devem, pois, ter em mente que o médico considera muitos fatores, como aqueles já mencionados anteriormente, para decidir:
– O QUE;
– COMO;
– QUANDO
deve informar ao paciente.

CONCLUSÃO:

Paciente e familiares devem providenciar, o mais rapidamente possível, a realização dos exames; é natural que essa etapa – que pode incluir alguma espera – seja marcada pela ansiedade em conhecer os resultados.

Trataremos desse importante período – entre a solicitação dos exames e a obtenção dos resultados – em um próximo artigo.

 

FONTE:

Fiorelli, J. O. & Maciel, R. C. R. Maciel. Câncer e Família – mitos e realidade. Curitiba: Juruá, 2006.