PREPARAÇÃO PARA A HOSPITALIZAÇÃO



Nos tratamentos de câncer é comum a hospitalização para a realização de cirurgias.

Para a maior parte das pessoas, a perspectiva de hospitalização constitui motivo de muita apreensão, acentuado por se tratar do câncer.

Esse fato, entretanto, não deve impedir que a família prepare-se para o período que se avizinha.

Alguns aspectos merecem particular atenção, tais como os seguintes. Trata-se de um PLANEJAMENTO que precisará ser feito rapidamente quando o tempo disponível até a hospitalização for curto.

 

Problemas físicos ou fisiológicos do paciente

É importante que o paciente deixe bem clara a existência de qualquer tipo de desconforto ou dor que possa sentir.

Esse cuidado tem grande importância, para evitar que a agressividade dos medicamentos que receberá não agravem ainda mais esses sintomas.  Por exemplo: um desconforto estomacal, com o qual a pessoa encontra-se acostumada a conviver, pode transformar-se em gastrite se não for tomado um cuidado especial.

Dependentes de substâncias químicas (por exemplo, fumantes e alcoolistas) podem já possuir diversos órgãos danificados e exigirão cuidados redobrados. Observe-se que a interrupção brusca dessas substâncias pode ocasionar graves reações fisiológicas, conhecidas como “síndrome de abstinência”.

 

Problemas emocionais 

O paciente pode estar realizando tratamento psiquiátrico e, por esse motivo, ingerindo substâncias que não poderão ser bruscamente interrompidas e precisarão ser avaliadas e compatibilizadas com a futura medicação.

Também é importante relatar ao oncologista a existência de histórico de problemas emocionais. Por exemplo, depressão, antes da doença, para que ele proporcione maior atenção às reações do paciente no transcorrer do tratamento.

Além disso, o próprio tratamento do câncer costuma trazer uma substancial carga emocional, que se somará aos transtornos porventura existentes. Essa questão deve ser avaliada por profissional especializado para indicação dos procedimentos durante as próximas etapas do tratamento.

 

Cuidadores

Dependendo da natureza das futuras intervenções a que o paciente se submeterá (gravidade, duração, efeitos imediatos), poderão ser necessários cuidadores especializados (auxiliar de enfermagem, enfermeiro(a)) por algum tempo após a alta hospitalar.

Algumas recomendações para a escolha de cuidador:

– Iniciar assim que possível a seleção desses profissionais; dependendo de diversos fatores, como a localização geográfica, a disponibilidade de cursos de formação e de profissionais qualificados na região, ela poderá ser mais ou menos demorada.

– Assegurar a combinação de capacitação com empatia, em relação ao paciente e familiares mais envolvidos no tratamento. Por algum tempo, o cuidador será uma pessoa que participará da vida familiar.

Evitar improvisações, principalmente se ao cuidador forem exigidos procedimentos de domínio de auxiliares de enfermagem e ou enfermeiros(as).

Organizar o ambiente doméstico para a recepção do paciente no pós-operatório, inclusive em relação à presença de cuidadores.

 

Planejar as novas rotinas domésticas

A internação do paciente provocará a necessidade de se tomar diversas providências, estritamente práticas. Ela  poderá ser de curta duração, porém, o que não é incomum, poderá prolongar-se e todas as atividades deverão ser revistas para estabelecer quem faz, o quê, como, quando, de que maneira.

Isso inclui itens como:

– acompanhar o paciente no hospital;

– tomar providências junto à seguradora (se for o caso);

– adquirir remédios caso não fornecidos pelo hospital;

– levar e apanhar crianças na escola;

– cozinhar;

– lavar roupa;

– fazer compras;

– limpar a residência.

O compartilhamento das atividades com outros membros da família deve estar bem combinado para que todos se preparem, de maneira a evitar atropelos e desentendimentos de última hora.

Há situações em que o acompanhante precisará, para dispor de tempo, negociar com seu empregador. Quando o acompanhante não possui empregador, mas desenvolve suas próprias atividades, terá que ajustar seu esquema de atendimento a clientes.

A situação é semelhante quando o acompanhante ou o paciente são empregadores e precisam administrar o negócio e supervisionar empregados.

Todas essas questões ganham complicadores quando existem crianças pequenas e idosos que dependem dos cuidados e atenções dos demais. Essa situação torna-se ainda mais complexa quando o próprio paciente é um cuidador.

Esse planejamento deve incluir a consideração dos aspectos financeiros envolvidos. Muitas vezes, as melhores soluções podem apresentar custos que o orçamento familiar terá dificuldade para comportar.

 

CONCLUSÃO

A participação de todos é essencial para evitar conflitos futuros, dos quais o paciente deverá ser poupado.

A atenção a detalhes tem importância. Muitas vezes o que pareceria ser um pequeno detalhe, pode mostrar-se como uma grande dificuldade.

Com o planejamento adequado, a internação acontecerá com paz de espírito e união em torno do objetivo maior: a cura!

 

FONTE:

Fiorelli, J. O. & Maciel, R. C. R. Maciel. Câncer e Família – mitos e realidade. Curitiba: Juruá, 2006.